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A sincronicidade e a não localidade

Todos nós já vivenciamos aqueles momentos em que quando algo acontece, isso nos leva a refletir sobre o papel do universo e sobre o nosso próprio lugar dentro dele. Será que as coisas de fato encontram-se “significamente” em algum nível mais profundo? Ou o universo é apenas uma série de eventos aleatórios, ocorrendo um após o outro, enquanto as nossas mentes tentam desesperadamente encontrar o fio que os une?

Imagine o primeiro evento que vem à sua mente, que aconteceu com você, ao qual você realmente diria as palavras “que coincidência”! Algo que parecia ter acontecido por acaso. Em um dia específico, em uma ocasião específica, os céus ditavam, as estrelas se alinhavam, os ventos sussurravam, as pessoas certas estavam exatamente nos lugares certos, nas horas certas, para fazer exatamente as coisas certas.

Números sincrônicos

Muitos acreditam que a realidade não é aleatória. Os eventos são embutidos de significado, um significado que se relaciona com o que acontece por trás do véu, por assim dizer.

A sincronicidade é o nome técnico dado a esses eventos ou coincidências significativas, como pensar no nome de alguém e fazer com que essa pessoa telefone alguns segundos depois, ou abrir um livro aleatoriamente e encontrar a resposta para um problema com o qual você estava lutando, ou ver números repetitivamente. Um exemplo de sincronicidade é quando você vê um padrão de números ou letras, como olhar para o relógio e ver 11:11, 12:12, 15:51, 18:18, dentre outros. Essas sequências também podem continuar aparecendo por um período de tempo. A sincronicidade não parece aleatória e a mesma é diferente de coincidências que não têm significado, mas que acontecem por acaso.

O eminente psicólogo suíço Carl Jung usou o termo sincronicidade introduzido por ele para descrever tanto o fenômeno quanto o princípio hipotético subjacente. Ele usou o termo “princípio sincrônico” primeiramente em 1930. Em 1951 ele cunhou o termo sincronicidade em seu ensaio para descrever os fenômenos que ele experimentou com clientes em psicoterapia.

Carl Jung

“A sincronicidade é uma realidade sempre presente para aqueles que têm olhos para ver” – Carl Jung.

Exemplos clássicos de sincronicidade foram acontecimentos descritos por Jung durante o tratamento de uma paciente que era particularmente teimosa. Ele descreve as suas sessões de conversação com ela como sendo baseadas na racionalidade excessiva e rejeição de quaisquer significados mais profundos no universo. Enquanto a sua paciente descrevia os seus sentimentos e um sonho recente no qual ela recebeu um escaravelho de ouro, Jung ouviu algo batendo na janela atrás dele. As batidas continuaram e Jung abriu a janela para encontrar um grande escaravelho voando contra a janela. Ele o pegou e entregou a ela, dizendo: “aqui está o seu besouro.”

O escaravelho é, segundo Jung, um símbolo clássico do renascimento. Assim, o escaravelho dos sonhos e o escaravelho do mundo real coincidiram para criar um momento de transformação para a paciente, que conseguiu superar os seus problemas.

Carl Jung descreveu a sincronicidade como um “princípio de conexão acausal”. Ao usar a palavra acausal, ele apontou a natureza não local da sincronicidade. Segundo Jung, as sincronicidades seriam as correlações significativas e causalmente relacionadas entre eventos externos (físicos) e internos (mentais). Uma boa denominação para esses acontecimentos seria a coincidência significativa. A coincidência encontra-se entre os eventos externos e o significado interno que corresponde a esses eventos, que de alguma forma, foi inspirado por eles. De acordo com Jung, a sincronicidade é algo que acontece no mundo ao nosso redor, que parece desafiar todas as probabilidades e as explicações “normais”.

O princípio da sincronicidade foi ilustrado por Jung em um Quatérnion, uma cruz, que é formada a partir de dois pares polares de conceitos que se complementam diametralmente , e que portanto, devem ser entendidos de forma semelhante como o termo par de ondas / partículas na transição da física clássica para a teoria quântica.

Quatérnion

A dimensao aqui é referida como a energia indestrutível, que permanece constante para todos os processos físicos, mesmo durante a conversão da energia em massa e vice-versa. A constante mudança da aparência desta energia através de todos os processos físicos é definido por Jung como uma dança que se desenrola na formna de uma evolução no palco do espaço-tempo continuum.

Espaço-tempo continuum

Jung não nega que cada um dos eventos envolvidos esteja em sua própria cadeia causal. E por isso a sincronicidade não representa o questionamento do princípio da causalidade, mas ela o amplia linearmente à antítese puramente causal (Ordem Acausal).

A não-localidade é um dos principais princípios da física quântica e refere-se ao comportamento entre partículas que não precisam de uma causa ou localização específica no espaço-tempo. Porém no domínio quântico existe um mistério conhecido como a ação à distância, onde duas partículas reagem umas às outras instantaneamente, mesmo que possam estar separadas por anos-luz. A ação ocorre sem considerar a distância ou a limitação da velocidade da luz.

Fractais

Os físicos afirmam que duas partículas que espelham o comportamento umas das outras estão emaranhadas, embora o mecanismo por trás da ação à distância ainda seja desconhecido. O emaranhamento quântico se encaixa no modelo matemático subjacente à mecânica quântica, e isso é de grande importância, dado o fato de que a física está chegando a cálculos cada vez mais precisos e confiáveis.

Jung tentou explicar a sincronicidade por meio de um apelo ao “inconsciente coletivo”. Esse inconsciente coletivo é descrito por Jung como a soma de nossas mentes subconscientes mantidas em comum por todas as pessoas ou, mais intrigantemente, como um nível mais profundo de realidade que sustenta o nosso mundo físico. De acordo com Jung, as sincronicidades surgem do inconsciente coletivo e são um estímulo para a “individuação”, que é uma parte fundamental dos ensinamentos de Carl Jung.

 Jung parecia acreditar que o próprio universo estava tentando ensinar alguma lição ou discernimento ao oferecer essas coincidências significativas. Outra possibilidade intrigante é que as experiências sincrônicas são sugestivas da ideia de que nós e tudo ao nosso redor, fazemos parte de uma grande mente.

Lobster Nebula – NGC 6357

Em alguns momentos certas coincidências significativas parecem ser muito profundas, ou até um pouco assustadoras para serem aleatórias. Um materialista rigoroso descartaria tais sentimentos como não confiáveis ​​e subjetivos, mas  quando algo é “significativo” ele não é simplesmente subjetivo. Por isso é importante encontrar o significado de todas ou qualquer fonte em nossas vidas e pensar sobre as sincronicidades em um contexto mais amplo.

É essencial conectar o mundo interior e exterior, porque a sincronicidade se expressa através de um evento “lá fora” que tem um significado súbito “no aqui”. Para fazer essa conexão, nove princípios se aplicam a coincidências genuinamente síncronas:

  1. A sincronicidade é uma conspiração de improbabilidades. Essas representam os eventos emaranhados que quebram os limites da probabilidade estatística.
  2. Os eventos improváveis ​​que conspiram para criar o evento sincronístico estão totalmente relacionados entre si. As tradições budistas chamam isso de co-surgimento interdependente. Isso é o equivalente da correlação não-local.
  3. Os eventos sincronizados são orquestrados no domínio não local.
  4. À medida que nos tornamos conscientes dos eventos sincronísticos, nos movemos para estados de consciência mais elevados ou mais expandidos.
  5. Os eventos sincronizados são, na verdade, o resultado de uma intenção, que organiza o resultado necessário. A intenção pode ter sido introduzida consciente ou inconscientemente.
  6. Eventos sincronizados variam em importância. Eles podem parecer incidentais ou podem mudar o curso da vida de uma pessoa.
  7. Eventos sincronizados afetam as nossas emoções como coincidências aleatórias.
  8. Um evento síncrono pode criar a experiência de realização emocional e alegria.
  9. Eventos sincronizados nos permitem descobrir significados e propósitos de vida, já que são eventos pessoais. Com efeito, os mesmos são as mensagens do nosso Eu não local.

Juntos, esses princípios nos permitem receber pistas sobre a unidade essencial de duas realidades que parecem estar separadas: o mundo interior dos pensamentos, sentimentos, memórias, fantasias, desejos e intenções, e o mundo externo dos eventos do espaço-tempo. O interior e o exterior são o mesmo campo, uma consciência não-dual que cria simultaneamente o mundo subjetivo e o mundo objetivo.  Portanto, a sincronicidade não é simplesmente uma anomalia passageira que pode ser ignorada. Ela pode significar que algo crucial está acontecendo.

Fontes:

  • C. G. Jung: Synchronizität, Akausalität und Okkultismus. dtv, München 2001.
  • C. G. Jung: Gesammelte Werke., Bd. 8 Walter, Olten (CH) 1971, S. 475ff. (§ 816ff.), Synchronizität als ein Prinzip akausaler Zusammenhänge. Rascher Verlag, Zürich 1952.
  • F. David Peat: Synchronizität. Die verborgene Ordnung. Scherz-Verlag, 1989.

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