Consciência universal

Gaia | A consciência em ascensão do planeta terra

Neste século, duas ideias-chave emergiram do pensamento científico que sustentam a visão de nós mesmos como parte da Terra. Gaia como o princípio de animação da Terra pode aparecer em diferentes formas relacionadas a uma dada imagem cultural do mundo. Ela pode ser uma imagem mítica, xamânica, religiosa, geomântica ou científica. Gaia seria a vida, seria tudo, a alma da terra, uma entidade que, em todos os aspectos, habita o planeta, oferecendo vida e nutrição a todos os seus filhos.

Nesse sentido, Gaia representa a esfera de consciência do planeta Terra, que incorpora o príncipio da vida do nosso planeta. E assim, toda a Terra estaria consciente, ou mais precisamente, estaria no processo de se tornar autoconsciente, e nós coletivamente seríamos essencialmente esse processo.

Os alquimistas, tentando libertar o espírito da matéria, desenvolveram o conceito da Anima Mundi, a Alma do Mundo, que se expandiu para à imagem de Gaia como um organismo vivo. O sentido de uma terra viva, desfrutada e praticada por culturas anteriores, não industriais, nasceu da experiência viva e da proximidade com a natureza que a nossa cultura deixou de lado. Os antigos mestres eram observadores cuidadosos do mundo natural e sabiam que as montanhas, os rios, a chuva, as nuvens, a água e o fogo são todas entidades vivas que possuem uma consciência.

Se Gaia é uma ideia espiritual importante para o nosso tempo, então devemos lembrar que uma ideia espiritual não é algo em que pensamos, mas algo que nos habita e nos molda. Uma ideia espiritual é a encarnação de uma maneira profunda, que só se torna viva quando é incorporada em nossas vidas através da prática e da reflexão, uma parte da fundação e da arquitetura de nossas vidas.

Podemos olhar para a própria vida como sendo sagrada e ver a possibilidade da força maior da vida agindo através de nós em nosso trabalho para a recuperação da Terra. Essa “espiritualidade centrada na vida” pode ser uma fonte importante de inspiração para enfrentar e responder aos problemas do nosso mundo.

Leitura:

– Black Elk (1971). The Sacred Pipe: Black Elk’s Account of the Seven Rites of the Oglala Sioux, rec. and ed. Joseph Epes Brown . Baltimore: Penguin Books.

-Lovelock, J. and Margulis, L. (1973). Atmospheric homeostasis by and for the biosphere: the Gaia hypothesis. Tellus 26:2.

– Margulis, L. (1998). Symbiotic Planet: A New Look at Evolution. London: Weidenfeld & Nicolson.

-Lovelock, J. (2000). Gaia: A New Look at Life on Earth. Oxford: Oxford University Press.

-Prakash, R. (2001). Earth lives.

– Pittkänen, M. (2011). Magnetospheric Consciousness.

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